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Primeiro dia do Seminário Nacional do FNTSUAS expõe o desmonte da política de Assistência Social

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Denunciar os diversos golpes que as políticas sociais têm sofrido no Brasil, especialmente as que conformam o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), e reforçar a importância do SUAS para o povo brasileiro foram os motes que permearam a discussão da primeira mesa do V Seminário do Fórum Nacional de Trabalhadores do Sistema Único de Assistência Social (FNTSUAS). A discussão “O desmonte da seguridade social brasileira e os impactos no SUAS” contou com a participação das professoras Dra. Alba Pinho (UFC) e Iêda Castro (Centro Universitário de Brasília), com a mediação da psicóloga Fernanda Magano, vice-presidente da Federação Nacional dos Psicólogos (Fenapsi).

DSC_0242 editAntes, a plateia assistiu a uma apresentação artística do grupo de teatro do Centro de Referência de Assistência Social – Cras Acaracuzinho, do município de Maracanaú (CE). A intervenção teatral, uma adaptação livre de “Alice no País das Maravilhas”, denunciou a desvalorização do SUAS, apresentou os receios das juventudes com o futuro, caso as contrarreformas sejam efetivadas, e exigindo a saída de Michel Temer da presidência, em uma bem humorada cena com a “Rainha de Copas” como personagem principal.

Já na abertura do Seminário, as denúncias contra o desmonte das políticas sociais foi abordada pela psicóloga Fabiana Itaci, conselheira do Conselho Federal de Psicologia (CFP), e pela assistente social Elizabeth Rodrigues, presidente do Conselho Estadual de Assistência Social (CEAS). Ao destacar que a conjuntura atual exige ainda mais ação das pessoas nas ruas e nos diversos espaços públicos, Fabiana Itaci alertou que hoje (1°/6) o governo ilegítimo Temer fez uma série de mudanças administrativas nos Ministérios e que isso pode prejudicar ainda mais nossas políticas sociais.

DSC_0252 editJá Elizabeth Rodrigues reforçou o papel dos conselhos, com destaque para o CEAS, explicando que a Assistência Social tem sofrido diversos ataques todos os dias, muitos deles ainda invisíveis a toda a população. “Enquanto conselheiros, nós sabemos muito bem e de fato o que está acontecendo com a Política de Assistência Social. É estarrecedor”, finalizou.

Dialogando com a abertura do Seminário, a primeira mesa trouxe diversos questionamentos e proposições acerca do cenário atual. A profa. Alba Pinho explicou que estamos vivendo um momento peculiar da luta de classes e que, na verdade, sofremos um “golpintima”. A professora esclareceu ainda que as classes burguesas, neste contexto de fortalecimento das políticas neoliberais, têm mantido duas frentes de atuação: a exploração da classe trabalhadora e o assalto dos recursos públicos. Para Alba Pinho, é urgente a ida às ruas “porque é uma forma estratégica do povo de exercer o controle social”.

A profa. Inês Castro fez um breve histórico da Política de Assistência Social no Brasil, explicando como a política se consolidou ao longo do tempo, para destacar que é cada vez mais urgente a ida do/a assistente social às ruas e, especialmente, ao “chão do CRAS” porque é lá onde a situação se encontra ainda mais precarizada. “Nós fizemos a opção de estarmos do lado da classe trabalhadora. Precisamos ressignificar nossas ações e afazeres profissionais”, finalizou.

DSC_0367 EDITA segunda mesa do Seminário trouxe a temática “Benefícios, serviços, programas e projetos no SUAS: a (des)proteção social em questão”. A profa. Dra. Evânia Severiano integrou a mesa como representante do Conselho Regional de Serviço Social 3ª Região (Cress/CE). Também integraram esta mesa a profa. Ma. Raquel Alvarenga (Unipe/PB) e a profa. Dra. Irma Moroni (Uece), com a mediação da assistente social Margareth Dallaruvera, representante da Federação Nacional dos Assistentes Sociais (FENAS).

O foco da mesa foi o papel do/a assistente social como agenda de mudança e mobilização política para o enfrentamento de medidas retrógradas que tem sido estabelecidas a partir do golpe. No entanto, conforme o que trouxe a profa. Evânia Severiano, é importante que, antes, compreendamos o contexto do que está acontecendo. “A crise não é só no Brasil e não devemos entendê-la apenas no contexto brasileiro. É importante sabermos que são interesses econômicos que estão por trás de toda esta crise política”, reforçou Evânia Severiano fazendo alusão à fala da profa. Alba Pinho.

Para além das ruas e das mobilizações sociais que já estão acontecendo, a profa. Irma Moroni demonstrou uma maior preocupação com os trabalhadores do SUAS nos equipamentos em que estão inseridos e no seu diálogo cotidiano com a população. “Eu acho que nós temos que nos preocupar com a formação dos usuários da Política de Assistência Social. Acho que nós temos que estabelecer uma relação pedagógica com nossos usuários, mostrando o que é o CRAS, o que nós fazemos de fato, para que possamos estabelecer uma relação política e assim estarmos todos reunidos na mesma luta”, destacou Irma Moroni finalizando com o grito “FORA TEMER” de todos que estavam presentes.

O V Seminário Nacional do FNTSUAS continua nesta sexta, dia 2 de junho, no auditório Paulo Petrola da Universidade Estadual do Ceará (UECE), a partir das 8h. Confira a programação desta sexta:

8h – Acolhida e momento cultural
9h – Mesa 3: Nenhum direito a menos: estratégias de resistência da classe trabalhadora
10h40 – Debate
12h – Almoço
14h – Mesa 4: Terceirização e Gestão do Trabalho no SUAS
15h30 – Debate
16h30 – Encaminhamentos
18h – Encerramento com Café

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