A+ A-

Nota em Defesa de uma Residência Integrada em Saúde pública, democrática e de qualidade no Estado do Ceará

Image

A gestão “Nossa voz na rua vem para lutar” do Conselho Regional de Serviço Social 3ª Região/CE vem a público manifestar repúdio às interferências políticas autoritárias e arbitrárias, sem transparência e diálogo por parte da Superintendência da Escola de Saúde Pública (ESP), na formação realizada pelo conjunto de profissionais docentes que constroem a Residência Integrada em Saúde (RIS) e com profissionais residentes que participam da IV e V turma do citado programa.

A atitude da Superintendência da ESP de censura e de cerceamento do debate profícuo e democrático sobre as grandes questões que envolvem a conjuntura nacional e, portanto, a saúde pública, fundamentais na formação de residentes e profissionais de saúde, é expressão social do pensamento protofascista e de uma engrenagem organizada, que se utiliza do ódio e da intolerância, para orquestração de um autoritarismo cotidiano que visa à aniquilação da política. É importante destacar que as medidas autoritárias e arbitrárias têm sido uma constante na ESP já que, em períodos anteriores, profissionais do corpo docente da RIS foram cessados de expressar suas manifestações de descontentamento e demitidos por se colocarem, legitimamente, em defesa de melhores condições éticas e técnicas do trabalho, sobretudo, pelos seus salários atrasados.

Cabe lembrar que posturas autoritárias vão à contramão do projeto profissional e de sociedade defendidos, historicamente, por este Conselho e pela categoria profissional de assistentes sociais, manifesto, especialmente, no Código de Ética da/o Assistente Social e alinhado aos princípios defendidos pelo Movimento da Reforma Sanitária brasileira. Defendemos uma concepção de Residência Integrada em Saúde ancorada nos princípios da saúde coletiva como resultante do Movimento da Reforma Sanitária e da luta pela democratização da saúde, mais do que isso, é a expressão de um projeto democrático e popular para a sociedade: democratização da saúde; democratização do Estado e suas instituições; e democratização da sociedade.

A Residência Integrada em Saúde do Ceará é atualmente a maior do país, apesar de todos os desafios e contradições presentes em qualquer disputa contra o modelo privatista de saúde. Hoje são mais de 600 profissionais das diversas áreas da saúde que, por meio da formação em serviço, visam construir o Sistema Único de Saúde (SUS) consonante àquele defendido pelo Movimento da Reforma Sanitária no Brasil. Assim, as residências em saúde se constroem como potencializadoras do projeto de saúde pública e coletiva, que sofre com ataques cotidianos, sobretudo, na conjuntura do governo golpista que retroage em direitos históricos da classe trabalhadora. No entanto, para isso, o Governo do Estado do Ceará deve assumir o compromisso e assegurar os investimentos necessários à estrutura física e de pessoal, ou seja, garantir as condições acadêmicas, técnicas e ético-políticas necessárias à formação pública, democrática e de qualidade. A RIS não pode ser apenas espaço para formação de mão de obra barata e utilizada no “toma lá dá cá” da pequena política com os municípios. A garantia de um projeto verdadeiramente democrático e republicano de Residência em Saúde, consonante com os princípios do SUS e voltado aos interesses do povo cearense, é urgente!

Nesse sentido, defendemos condições de trabalho para todas/os profissionais que constroem a Residência Integrada em Saúde, tutoras/es, preceptoras/es de campo e núcleo, residentes, dentre outras/os, e afirmamos a defesa intransigente de um modelo de educação pelo e para o SUS que integre ensino-serviço-comunidade, comprometido com a educação permanente na construção de profissionais críticas/os, criativas/os, competentes e ousadas/os, uma educação capaz de formar “intelectuais orgânicos” da e para a classe trabalhadora.

Do autoritarismo depende o extermínio da democracia como desejo em nome de uma democracia de fachada. Para exterminar a democracia como desejo é preciso que o povo odeie e é isso o que o autoritarismo é e faz. Ele é o cultivo do ódio, de maneiras e intensidades diferentes em tempos diferentes. Às vezes um ódio mais fraco, às vezes um ódio intenso servem à aniquilação do desejo de democracia (Márcia Tiburi, 2016).

Compartilhe