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[Diário do Nordeste] Saúde Mental deve ter 133 novos profissionais

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O reforço da rede psicossocial da capital cearense, demanda antiga dos movimentos sociais ligado à saúde mental, deve, enfim, acontecer até o fim de 2018. Essa é a expectativa com o lançamento do primeiro concurso público para a contratação de 133 profissionais que irão atuar na Rede de Atenção à Saúde Mental (Raps) de Fortaleza, que realiza cerca de 4 mil atendimentos por mês. O anúncio foi feito pelo prefeito Roberto Cláudio, ontem, no Paço Municipal.

Conforme o Edital do concurso, também divulgado ontem, as vagas ofertadas são para médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e enfermeiros, fortalecendo o atendimento nos 23 equipamentos do Município voltados à saúde mental, sendo 15 Centros de Atenção Psicossocial (Caps), cinco unidades de acolhimento e três residências terapêuticas.

Atualmente, o Município conta, ainda, com uma rede de apoio a internação, composta por 25 leitos infanto-juvenil na Sociedade de Assistência e Proteção a Infância de Fortaleza (Sopai), dois leitos na Santa Casa de Misericórdia e um convênio com o Hospital Mental Psiquiátrico. Para a assistente social e membro do Fórum Cearense de Luta Antimanicomial (FCLA), Márcia Araújo, o certame se trata de um importante ponto de fortalecimento da rede psicossocial, por garantir a permanência desses profissionais. “Essa é uma pauta que a gente trabalha com a Prefeitura desde 2014, pedindo a realização de concurso de forma imediata pelo número reduzido de profissionais e pelos vínculos empregatícios muito fracos, gerando muita rotatividade”, diz.

Apesar da conquista, esclarece ela, o número de vagas apontadas pelo Conselho Regional de Serviço Social da 3ª Região/CE (Cress/CE) para atender a demanda atual seria de 59 assistentes sociais. O edital, contudo, oferta apenas 21 vagas para essa habilitação profissional.

Ainda segundo Márcia, o concurso está entre as medidas firmadas no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), celebrado entre Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) no ano passado, visando a reestruturação da Rede de atenção psicossocial de Fortaleza.

“O concurso foi um ponto importantíssimo, mas vamos ficar acompanhando as outras demandas. Nós temos ainda um desrespeito à estrutura física dos serviços, com Caps muito precarizados, precisamos da regularização da alimentação e medicação e ainda falta muito para o atendimento do usuário de álcool e drogas”, destaca.

Demandas

A coordenadora de Saúde Mental de Fortaleza, Aline Gouveia, afirma que o Município cumpriu com mais da metade dos itens previstos no TAC, estando os demais prazos alocados conforme a complexidade de cada item. Esclarece, ainda, que o concurso suprirá, a princípio, as lacunas mais emergenciais, mas que um banco de reserva a ser formado por meio do certame permitirá a convocação de mais profissionais do que o previsto inicialmente no edital.

“A nossa intenção principal é formar vínculos, porque isso acaba se quebrando quando a gente passa só um ano com o profissional, ou quando ele cooperado e resolve sair da rede. Isso para nós é muito importante”, diz.

A coordenadora ressalta, também, a construção de dois novos Caps, um para o bairro Cristo Redentor e outro para a Cidade 2000, com previsão de entrega até o fim do ano; além da reforma no Caps da Regional IV, prevista para conclusão no primeiro semestre de 2019.

Texto completo no site http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/cidade/saude-mental-deve-ter-133-novos-profissionais-1.1977681.

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